quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Maurício e a Geografia

Maurício quando era professor queria ensinar Geografia.
Maurício nada tinha a ver com Geografia.
Maurício nunca soube que Maurício era mais que Geografia.
Geografia soava estranho aos alunos quando vinda de Maurício.
Nem Maurício, nem os alunos sabiam:
_Mais valioso que Maurício ensinar Geografia,
seria aprender a Geografia de Maurício.
Pena que Maurício nunca soube-se. Nunca situou-se.

Acabou o período letivo.

Maurício cambaleou e tropicou dos trópicos de capricórnio e câncer pra fora do atlas num triplo mortal involuntário.

E os alunos?

Geograficamente desorientados, ainda não deram o mesmo salto que Maurício.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Grão da Rocha

Eu?
Eu me chamo Grão,
Grão da Rocha.
Daquela que outrora bruta esfacelou-se e tornou-se
Grão,
Grão da Rocha.
Daquilo que era tudo e agora é parte e parte na busca ardente de outra combinação.
Grão,
Grão da Rocha.
Que rola suavemente na superfície de qualquer lugar, mas tão somente, ao sopro íntimo do seu pulmão.
Grão,
Grão da Rocha.
Que invade seu organismo no vacilo mínimo de sua respiração.
Muito prazer,

Grão da Rocha.

domingo, 19 de junho de 2011

Uma cerveja, maconha, outra cerveja, uma coronha e o mundo.

_Tá tudo bem?

_Sim. Tá tudo legal! Agora tá legal.

_Legal, é? Legal é a puta que te pariu. Tchau!!!

Tenho um mundo inteiro pela frente, uma volta ao redor da vida pra fazer. Não! Não posso compactuar com tudo isso. Podíamos nos encontrar em situações muito mais intensas e significativas e ao invés disso, estamos nas mesas desses bares nos anestesiando com brahma e skol. Valho-me mais do prãna e do sol. Todas essas crianças, esses jovens tolos, esses inocentes seres que dormem, eles, em sua maioria, me fodem. Nada acontece, nada que toque profundo e verdadeiramente minha alma. Todo contato se dá pelo revestimento, pela couraça que blinda nossas emoções e nossas questões existenciais mais essenciais. Estou farto e quero abrir caminho nesses corações apodrecidos, quero nesse caminho reconhecer minha própria podridão, quero a podridão à flor da pele, quero mais é assumir e fazer exalar o que há de podre no mundo. O mundo fede, porra! Fede dentro de cada um e eu vejo esse cheiro. Vejo a porra do cheiro, entende? Não entende? Como se pode ver um cheiro? É assim, quando você permite os olhos respirarem, os ouvidos saborearem, o toque do paladar e o nariz... o nariz se intrometer. O nariz que se infiltra, aquele que mete o bedelho, saca? O nariz que ousa, que quer se relacionar, que quer saber do outro. Aí você saca que o mundo é mais, que cada um é mais, ao menos pode ser mais, e você o que faz? Não faz. Aí é a vida que se faz, ela te conduz. Se você respira com os olhos o mundo, ele te traga pra dentro de sua alma doente. Aí já era! O mundo te recruta, saca? Ele te quer como parceiro, ele te quer pisando firme em sua superfície, ele te lembra sempre que a terra te puxa pra dentro a cada instante, ele fala claramente: Aí maluco, se liga! Você tá de passagem imbecil! Tá ligado que você morre também? É! O mundo é grosseiro e usa gírias da favela, saca? E o mundo apela em gritos abafados dentro de cada um que vive nele “Me tira daqui... me tira daqui... me tira daqui... e tira daqui... tira daqui... ira daqui... ra daqui... a daqui... daqui... aqui... aqui... aqui... qui... ui... ui... ui... i... i... i...”

domingo, 29 de maio de 2011

poema (a)ma(r)temático

vamos juntos?
os caminhos que nos levem.
sem mais nem menos,
mas no zero do meio.
divindo sonhos e
multiplicando realizações.

Fernando e Samuel indo pro Macchu Picchu.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

PALAVRASANGUE

Sonhei com corte no peito sangrando palavra
Tinha:
vai toma no cu e eu te amo
obrigado e vai à merda
cuida da sua vida e me abraça
vamos juntos e me deixa em paz.
O médico quis suturar.
Eu disse:
Acha mesmo que eu quero estancar tal
fluxo de palavras não ditas?

terça-feira, 22 de março de 2011

"V"

Vi a escrita tornar à lápis
Vi a fala inverter a vida
Vi o queixo tocar a testa
Vi face por face distorcida

Vil drama de choro tolo
Velozes dias chuvosos
Vingança sob medida
Vozes de mil lacrimosos

Vontade já condenada
Varrendo a varanda vadia
Virava a jogada de novo
Vísceras da noite em dia

sexta-feira, 11 de março de 2011

SÓ CIEDADE

tenho andado um tanto, eu,
na intenção de tanto andar, totalizar-me.
estive numa feira de profissões
atrás de formação pra eu,
no teste vocacional deu teu.
mesmo assim insisti e prestei vestibular pra eu,
não passei e resolvi vestiburlar a formAção
e vestiburlando dia à dia a minha vestimenta
represento o meu eu distorcido nessa só ciedade.